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Como calcular os juros do rotativo do cartão

Como os juros do rotativo crescem mês a mês, o limite de 100% do valor original da Lei 14.690/2023 e como comparar o rotativo com o parcelamento da fatura.

Por JWP Web , editora do Pronto no Clique · Publicado em

Passo a passo

  1. Ache o valor que ficou sem pagar: total da fatura − o que você pagou.
  2. Pegue a taxa mensal do rotativo na própria fatura, que traz os juros do mês e o Custo Efetivo Total (CET). Essa taxa vale até a fatura seguinte; a partir daí vale a taxa do parcelamento, que precisa ser menor.
  3. Multiplique mês a mês: saldo × (1 + taxa). Com 12% ao mês, o fator é 1,12; em dois meses, 1,12 × 1,12 = 1,2544.
  4. Compare com o teto: juros e encargos somados, contados desde o início do rotativo e incluindo o parcelamento que vier depois, não passam do valor original. A dívida fica limitada a 2 × o valor não pago.
  5. Compare com o parcelamento da fatura e com outras linhas de crédito antes de deixar o saldo rodando.

Exemplo mês a mês

O exemplo mostra um saldo que fica em aberto e acumula juros: no primeiro mês, rotativo; depois, o saldo que sobra é parcelado. Para simplificar, a tabela usa a mesma taxa o tempo todo. Na prática, a taxa do parcelamento tem de ser menor que a do rotativo, então a conta mostra o pior caso.

R$ 1.500,00 em aberto a 12% ao mês por 12 meses, sem novas compras nem pagamentos (valores de exemplo)

Saldo em aberto com juros, com e sem o limite legal, em 12 meses
Mês Sem limite (só para comparar) Com o limite de 100%
1 R$ 1.680,00 R$ 1.680,00
2 R$ 1.881,60 R$ 1.881,60
3 R$ 2.107,39 R$ 2.107,39
4 R$ 2.360,28 R$ 2.360,28
5 R$ 2.643,51 R$ 2.643,51
6 R$ 2.960,73 R$ 2.960,73
7 R$ 3.316,02 R$ 3.000,00
8 R$ 3.713,94 R$ 3.000,00
9 R$ 4.159,62 R$ 3.000,00
10 R$ 4.658,77 R$ 3.000,00
11 R$ 5.217,82 R$ 3.000,00
12 R$ 5.843,96 R$ 3.000,00

Em 6 meses, a dívida chega a R$ 2.960,73: R$ 1.460,73 de juros. Em 12 meses, sem o limite, chegaria a R$ 5.843,96; com o limite, para em R$ 3.000,00, atingidos no mês 7.

Parcelar o mesmo saldo em 6 × R$ 330,00 custa R$ 1.980,00, com taxa de 8,56% ao mês (167,92% ao ano). Parcelar custa menos que deixar R$ 1.500,00 no rotativo por 6 meses (R$ 2.960,73).

Quanto tempo o rotativo pode durar

A Resolução CMN nº 4.549/2017, art. 1º, só permite o rotativo até o vencimento da fatura seguinte. Depois disso, o art. 2º permite financiar o saldo restante por um parcelamento, desde que em condições melhores que as do rotativo. O valor parcelado não pode voltar para o rotativo (Banco Central do Brasil (Conselho Monetário Nacional), consulta em 07/11/2026).

Na prática, se você paga só uma parte da fatura, o restante fica um mês no rotativo. Na fatura seguinte, o banco oferece o parcelamento ou o faz automaticamente, conforme o contrato.

O limite de 100% da dívida

O art. 28 da Lei nº 14.690/2023 mandou os emissores de cartão proporem ao Conselho Monetário Nacional (CMN), em até 90 dias, limites para os juros do rotativo e do parcelamento da fatura. O § 1º diz que, sem limites aprovados nesse prazo, o total cobrado de juros e encargos não pode passar do valor original da dívida (Presidência da República (Planalto), consulta em 07/11/2026). Como nenhum limite foi aprovado no prazo, o teto de 100% vale desde 3 de janeiro de 2024. O § 2º aplica o mesmo teto ao emissor que deixar a autorregulação.

A Resolução CMN nº 5.112/2023, que incluiu os arts. 2º-A a 2º-D na Resolução 4.549, detalhou a conta: o valor original é o saldo que entrou no rotativo. Quando esse saldo vai para o parcelamento, os juros contam desde o início do rotativo, e não de novo a partir do parcelamento. Juros, multa, juros de mora, tarifas e comissões entram no mesmo teto.

O limite não torna o rotativo barato: no exemplo, a dívida dobra em 7 meses. Ele só impede que continue crescendo depois disso.

A conta da ferramenta não inclui o IOF, que é imposto e não está na lista de encargos da resolução, nem a multa e os juros de mora do atraso, que entram nele. Por isso, a fatura real pode vir diferente da simulação.

Dúvidas frequentes

Pagar o mínimo evita os juros?

Não. O mínimo evita o atraso, mas o restante vai para o rotativo e paga juros desde a data de vencimento. Na fatura seguinte, o que sobrar desse saldo vai para o parcelamento.

E se eu não pagar nem o mínimo?

Além dos juros, entram multa e juros de mora pelo atraso, e o nome pode ser negativado. Negociar antes do vencimento costuma sair mais barato.

Cuidados e casos especiais

  • Pagar o mínimo manda o restante para o rotativo. Se for possível, pague o máximo que conseguir, mesmo que não seja a fatura toda.
  • Várias dívidas ao mesmo tempo: priorize a de juros mais altos. Liste todas na ferramenta de organizar dívidas.
  • Proposta do banco: antes de aceitar, compare a parcela e o total na calculadora de renegociação de dívida.
  • Taxa anual: 12% ao mês equivalem a 289,6% ao ano. Converta outras taxas na calculadora de taxa equivalente.
  • Para não voltar ao rotativo, reserve espaço no orçamento para a fatura inteira. Um ponto de partida é a regra 50/30/20.

Fontes consultadas

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